Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte Final

Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte Final

Por Beatriz Mª Nogaroli

Chegamos ao último artigo da série. Nele abordamos sobre a prática de procurar a veia após a punção. Essa atividade, para a aflição dos pacientes, está cada vez mais presente nos laboratórios em razão das falhas na formação profissional e que não são acompanhadas pelas lideranças. Incluímos também a identificação do paciente e da amostra, iniciativa fundamental para garantir a segurança do paciente.

9. SONDAGEM DA VEIA

Ao executar as etapas iniciais da punção venosa, caso não consiga atingir a veia, o coletador não deve se sentir incapaz ou envergonhado por isso. O desempenho está relacionado a uma série de fatores pessoais que podem estar influenciando naquele momento. Se voce conhece o trajeto da veia e está seguro de poder alcançá-la, faça apenas uma tentativa de localização, realocando a agulha. Não fique sondando, recuando e introduzindo a agulha para todo lado, como se o braço do paciente fosse um modelo de borracha. O resultado disso, além da aflição e dor infligidos ao paciente, certamente será algum dano mais grave.

Já abordamos os riscos e danos quando insistimos numa punção mal sucedida. Se for a veia basílica (a famosa “veia bailarina” entre os coletadores), nervos e a artéria braquial podem ser lesados.  Já as veias mediana e cefálica, quando perdidas, oferecem oportunidade para um reposicionamento da agulha com mais segurança. Essas veias, pela localização, oferecem menos risco de lesão a estruturas adjacentes, mas não se deve fazer mais do que uma ou duas sondagens. Certifique-se de que está capacitado para realizá-la antes de tentar , caso contrário, procure auxílio da supervisão.

Se voce realiza coleta hospitalar, lembre-se da fragilidade daquele ser humano que está colocando seu bem-estar em suas mãos. Mesmo ele estando inconsciente, não leve mais dor e mais desconforto. Pense que voce poderá estar na mesma situação em algum momento da vida e faça a punção que gostaria de receber se estivesse no lugar do seu paciente. Faça o seu melhor!

10. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA

Concorde voce ou não, a identificação incorreta do paciente é uma forma de causar dano a ele.

Um risco que muitos laboratórios ainda “pagam pra ver” por considerar “muito difícil de acontecer”. Em pleno século XXI ainda temos serviços laboratoriais que usam identificação manual das amostras do paciente, feitas de forma precária, com letras ilegíveis, usando apenas o primeiro nome ou iniciais do nome; outros criam processos confusos mesmo possuindo um sistema de informação computadorizado. Cito o exemplo de um caso em que a identificação das amostras na coleta usava apenas números que eram diferentes dos gerados pelo sistema cujas etiquetas eram reposicionadas depois. Impossível não ocorrer uma troca!

O processo de identificação do paciente e da amostra deve assegurar a rastreabilidade e sempre acompanhado da coleta ao resultado, para que não se perca o padrão de segurança estabelecido.

A apresentação de documento com foto no momento do cadastro e uso do CPF hoje é mais recomendado do que o RG, identificação normalmente usada, sem contar a utilização de novas tecnologias, como a implementação da identificação biométrica.  Na coleta, é necessária a confirmação pelo paciente de duas informações pessoais, como nome completo e data de nascimento, no mínimo.  O Protocolo de Identificação do Paciente recomendado pelo Ministério da Saúde assegura que a coleta seja realizada no paciente correto.

Todos os tubos a serem coletados devem estar etiquetados e conferidos pelo paciente antes da coleta. No caso de pacientes internados, o profissional deve conferir os dados com a pulseira do paciente.

É importante que essas diretrizes estejam descritas no Manual de Coleta ou nas instruções de punção venosa dos laboratórios e hospitais.

Certamente que existem mais desvios de padrões de qualidade durante a punção venosa que podem causar danos ao paciente, mas tenho certeza que, nesta série de artigos, elencamos os problemas mais comuns.

Se voce é o diretor ou supervisor de um laboratorio, não permita que desvios dessa natureza passem sem sofrer repreensão disciplinar no momento em que acontecerem.

Estas e as reflexões anteriores ajudaram voce a rever o desempenho na coleta de sangue? Levou à revisão do manual de coleta do laboratorio? Fez com que acompanhasse de perto sua equipe de coleta? Fez com que capacitasse sua equipe? Espero que sim!

O meu objetivo foi colaborar para aprimorar a coleta de sangue nos laboratórios, clínicas e hospitais; além de melhorar a qualidade técnica dos profissionais e prevenir denúncias nas redes sociais e ações judiciais, cujo custo à imagem do serviço é incalculável. 

Quando os tópicos abordados já não estiverem presentes no dia-a-dia do seu laboratório, é muito provável que ele faça parte de uma lista notável: a dos 10 laboratórios mais seguros para a coleta de sangue.

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