Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte V

Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte V

Por Beatriz M. Nogaroli

Neste artigo da série abordamos a dor durante a punção e a escolha aleatória da veia.

Ambas as situações, em geral, estão associadas, mas a dor pode advir de outros procedimentos inadequados de punção que já abordamos anteriormente.

 

  1. DESCONSIDERAR A DOR

Uma dor de pequena intensidade e imediata à introdução da agulha é aceitável, mas mesmo essa não precisa fazer parte da experiência do paciente. A tecnologia desenvolvida pelos fabricantes inclui material e design que facilitam a punção sem dor. As agulhas são siliconizadas, feitas com corte a laser e trifacetadas, características desenvolvidas justamente para que reduzam a dor no momento da punção.

Outra forma de tornar a experiência do paciente menos desagradável é a habilidade de quem punciona. Muitos confundem o tempo que um profissional atua na coleta de sangue com a sua habilidade. Isso nem sempre é verdadeiro. A habilidade vem da aptidão para a profissão, da formação recebida, do conhecimento contínuo, da delicadeza dos movimentos e que resulta, com a experiência de todos esses fatores, em práticas bem executadas.

Então, acredito que podemos concordar que a dor pode ser evitada sim. Mas, infelizmente, ela é negligenciada por muitos que realizam a punção. O caso se agrava quando o paciente é atendido em unidades de pronto atendimento ou está hospitalizado.

Se você, como paciente, já passou por um procedimento de punção ou já acompanhou um ente querido nesse procedimento, sabe que não há exagero nessa afirmação.

Quantas vezes, o paciente reclama de dor intensa ou “choque” no momento da punção e é ignorado. Lesões de nervos periféricos com sequelas graves após uma punção venosa estão descritas na literatura.

Essa lesão é definida como persistente, semelhante a uma queimadura e choque elétrico. Pode estar associada uma coleta traumática ou imperícia do coletador.

O profissional que age com conhecimento, prudência e bom-senso imediatamente interrompe a coleta e retira a agulha, pois sabe que esse “choque” indica que um nervo foi atingido.

Aqueles que desconsideram a dor aguda do paciente correm o risco de causar uma lesão grave ou lesão incapacitante permanente. O padrão do procedimento recomenda que sempre que o paciente expressar “choque”, dor incomum ou intensa, dormência ou formigamento nos dedos ou na mão, a coleta deverá ser interrompida e a agulha retirada imediatamente.

  1. PUNCIONAR A PRIMEIRA VEIA QUE ENCONTRAR

Há um ditado que diz “a pressa é inimiga da perfeição”.  Nada mais verdadeiro quando se trata de punção venosa. Essa atividade precisa de um tempo mínimo para ser bem executada e que minimize os riscos do paciente. Portanto, a pressão por agilidade e a sobrecarga daqueles que a executam é um fator de risco para uma punção bem sucedida.

Esses e outros fatores já abordados levam a decisões de consequências desagradáveis.

Só porque uma veia basílica “calibrosa” surge ao apertar o torniquete não significa que deve ser puncionada sem avaliar outras naquele braço. É necessário saber quais veias priorizar por segurança. Esse conhecimento nos obriga a realizar um exame completo de ambos os braços (se disponível e acessível) para encontrar uma veia com menor probabilidade de estar perto de nervos e artérias. Isso significa evitar a veia basílica e qualquer outra veia com as mesmas probabilidades. Por segurança, é preciso dar prioridade às veias da área central e lateral externa da fossa cubital, ou seja, as veias mediana e cefálica. Se você ou seu colaborador não está confiante, não há nada de errado nisso. Solicite ou oriente que peça ajuda antes de puncionar o paciente. Além disso, introduza na sua instrução de punção venosa os riscos inerentes de uma punção da veia basílica: dor, hematoma, punção da artéria braquial e lesão de nervo periférico. 

Essas situações abordadas ocorrem em laboratórios e hospitais, públicos e privados, de pequeno a grande porte, em todo o país. A experiência desagradável do paciente ou as sequelas de uma punção indevida pode resultar em, no mínimo, uma denúncia nos diferentes canais de reclamação do cliente. Espero que esse artigo tenha contribuído, ao menos, para uma reflexão dos procedimentos adotados para a punção.

Inscreva-se na nossa Newsletter

Insira seu e-mail

E-mail

Cidade

Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte V
error: Content is protected !!