Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte III

Desvios da Qualidade na coleta de sangue que podem causar danos ao paciente – Parte III

Por Beatriz M. Nogaroli

Certamente já aconteceu no seu laboratório a seguinte situação: o paciente está sentado para a coleta de sangue e de repente ele perde a consciência? Ou então, ao sentar-se para a coleta, ele comentar que a “veia é difícil”, que numa ocasião teve tonturas porque o coletador teve dificuldade em localizar a veia?

Pois é, essas “mensagens” não são incomuns no nosso dia-a-dia e devem ser valorizadas para que possamos nos antecipar às eventuais complicações.

3. DAR AS COSTAS AO PACIENTE

Estatísticas americanas(1) indicam que cerca de 2,5 % dos pacientes desmaiam durante ou após a coleta de sangue. Alguns pacientes comentam espontaneamente o fato, o que auxilia na prevenção de complicações; enquanto outros pegam de surpresa o atendente.

O profissional que está fazendo a coleta precisa estar sempre vigilante quanto aos sinais de iminente perda da consciência e não dar as costas ao paciente. Os sinais incluem, por exemplo, ansiedade frente ao procedimento, palidez, sudorese, relato de tontura, passar de falante para calado.

A atendente deve certificar-se de que o paciente está bem, para depois fazer os arranjos das amostras, dar entrada dos tubos coletados no sistema (quando for o caso) e organizar o local.

Não podemos menosprezar os riscos da perda da consciência do paciente.  A queda pode ter como consequência apenas a dor, mas também pode acarretar situações mais graves como contusão, convulsão e até fratura.

O protocolo de prevenção de quedas  do Ministério da Saúde faz parte das ações  do  Núcleo de Segurança do Paciente e deve ser incluído no gerenciamento de riscos do laboratório.

4. PUNCIONAR UMA ARTÉRIA POR ENGANO

Uma situação, que também não é incomum, é a punção de uma artéria no momento da punção venosa.  Isso pode acontecer, no mínimo, por três razões: inserção profunda da agulha procura “às cegas” da veia, e transfixação da veia fazendo com que a agulha atinja uma artéria.  Caso aconteça essa situação, por qualquer que seja a razão, a coleta deverá ser abortada.

Quem atua na coleta de sangue não pode deixar de lembrar que muitas artérias correm logo abaixo ou ao lado das veias, e a chance de puncioná-las por engano é grande quando se desconhece a anatomia dos vasos. Se essa falha está acontecendo, será que seu colaborador sabe a diferença mais básica entre sangue arterial e venoso? Consegue identificar quando puncionou uma artéria?

Partimos do principio que, independente do local da punção, ao inserir a agulha no paciente, o profissional deve ter conhecimento profundo da anatomia da área a ser puncionada e avaliar os riscos aos quais está expondo o paciente. Se isso não está acontecendo, vale uma reflexão: faço de conta que não vejo e corro o risco das consequências ou retiro o colaborador da coleta de sangue e providencio para ele um treinamento teórico-prático, para depois reavaliar o seu desempenho?

A punção arterial por engano pode ocasionar riscos que não devem ser desprezados: dor à punção, que pode indicar toque em nervos adjacentes; hematoma, uma artéria puncionada requer mais cautela na compressão do vaso, com mais intensidade e por tempo maior; e até maiores complicações com lesão de nervos, ocasionando dormência temporária na região ou perda de sensibilidade.

Cabe aqui lembrar que os intervalos de referência dos exames, na sua maioria, se baseiam em amostras obtidas de sangue venoso (soro) e não devem ser usadas para outra amostra biológica. Portanto, a amostra obtida de punção arterial jamais deverá ser considerada como alternativa para a de punção venosa na coleta de exames.

Referencias:

1. Phlebotomy Today. Fev 2012

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