TESTES RÁPIDOS PARA A COVID-19

TESTES RÁPIDOS PARA A COVID-19

Com a evolução da pandemia COVID-19 no nosso país, surge no horizonte os tão esperados testes rápidos.

teste rápido, como o próprio nome diz, é o mais rápido para o diagnostico da doença – cerca de 10 a 20 minutos. Porém, pode ser impreciso pois a metodologia detecta a presença de anticorpos, ou seja, resposta imune mais tardia.

No caso do coronavírus, alguns kits desses testes, oriundos de vários países, receberam liberação da ANVISA para comercialização mas ainda precisam ser validados com amostras positivas e negativas para avaliar sua sensibilidade (capacidade de ser positivo na presença de doença) e especificidade (capacidade de ser negativo na ausência da doença). Somente assim , é possível assegurar se eles  são eficazes para o diagnóstico da COVID 19.

Mas isso não é tão simples assim! 

Os testes rápidos disponíveis detectam anticorpos das classes IgA e IgM (ambos aparecem após contato com o vírus e no início da doença) e IgG (produzidos mais tardiamente, conferem imunidade) contra o vírus . Os testes rápidos devem ser realizados a partir do 7º dia do suposto contagio, mas, mesmo assim, apresentam baixa sensibilidade (60-70%), permitindo a ocorrência de resultados falso-negativos.

Isso se explica pelo fato de que cada individuo produz uma resposta imunológica frente ao agente agressor. Se essa resposta for lenta, a quantidade de anticorpos produzidos ainda é baixa e não é detectada pelo teste. O mesmo processo imunológico se aplica a outras doenças, onde os testes rápidos também podem ser falso-negativos dependendo do momento no qual a amostra foi coletada.

“Exame certo é aquele realizado no paciente certo, no momento certo, da forma certa e com o resultado certo” disse o Dr Carlos Eduardo Santos Ferreira), presidente da SBPC/ML (Folha de São Paulo, p.82. 16/04/2020)

Portanto, ao oferecer o teste rápido o laboratorio clinico deve realizar a coleta da amostra com intervalo de tempo de contágio que afaste um resultado falso-negativo.

Um teste rápido IgM positivo indica que a doença é recente, está em curso e o indivíduo pode transmiti-la a outros; um teste IgG positivo indica imunidade adquirida contra o SARS-Cov-2, agente da COVID-19 (OMS, 2020).  Entretanto, ainda não há conhecimento suficiente que possa assegurar que essa imunidade é permanente, como acontece com o sarampo, rubéola e outras viroses.

Os testes rápidos devem ser realizados a partir do 7º dia do suposto contagio, mas, mesmo assim, apresentam baixa sensibilidade (60-70%), permitindo a ocorrência de resultados falso-negativos.

Os testes rápidos tem a praticidade na sua execução, pois demandam de pouca estrutura física; por outro lado, como todo exame laboratorial, precisam estar amparados no conhecimento técnico para sua execução e interpretação e, no uso de controles que garantam a qualidade do sistema analítico e a confiabilidade dos resultados. Ao final de todo o processo analítico, cabe ainda ao laboratorio disponibilizar o laudo com todas as informações para que o médico possa interpretá-lo de forma correta.

No entanto, há agora a possibilidade de serem realizados em farmácias, drogarias, clínicas e outros serviços que não possuem a mesma estrutura dos laboratórios clínicos  para sua realização,  e regulamentada na RDC 302/2005 da ANVISA.

Em Nota Técnica, a Secretaria de Saúde de Santa Catarina (Nota Técnica Nº. 027/2020) deixa claro que “não é permitido que as farmácias e drogarias comercializem testes rápidos ou testes laboratoriais remotos utilizados para a detecção do novo coronavírus, mesmo que o estabelecimento possua liminar judicial deferida autorizando a execução de testes rápidos ou testes laboratoriais remotos para parâmetros bioquímicos”.

A mesma medida deveria ser adotada por outras Secretarias Estaduais porque a execução de testes rápidos e testes laboratoriais remotos (TLR ou Point-of-care) deve estar vinculada a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar conforme estabelecido pela RDC n° 302/2005, no item 6.2.13, não sendo desta forma permitido a sua realização em farmácias e drogarias.

Além de toda a implicação técnica na realização desses exames e liberação dos laudos, há que se pensar também sobre o que o paciente vai fazer com o laudo em mãos, já que não tem a assistência médica para a interpretação correta do resultado do diagnóstico e da conduta terapêutica, se esta for recomendada.

Em pronunciamento conjunto datado de 24/04/2020, a Sociedade Brasileira de Analises Clinicas (SBAC), Sociedade Brasileira de Patologia Clinica/Medicina Laboratorial  (SBPC/ML), Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (ABRAMED), Associação Brasileira de Biomedicina (ABBM) e a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde); solicitaram à ANVISA:

– a garantia da aplicação da RDC 302/2005 para realização dos testes rápidos em qualquer local onde sejam realizados;

– se campanhas públicas forem indicadas e necessárias, que tenham sempre um profissional habilitado responsável em todas as fases do processo  e liberação do laudo;

– maior rigor na fiscalização referente à kits não registrados, controle de qualidade, capacitação de pessoal, laudos e as notificações compulsórias.

Em Reunião Ordinária Publica de Diretoria Colegiada 06/2020 realizada em 29/04/2020, a ANVISA tornou possível a realização de testes rápidos para COVID-19 pelas farmácias, apesar de toda a mobilização dos laboratórios clínicos quanto ao risco ao paciente.

Certamente novas medidas em busca da redução do risco para o paciente serão tomadas.

Inscreva-se na nossa Newsletter

Insira seu e-mail

E-mail

Cidade

TESTES RÁPIDOS PARA A COVID-19
error: Content is protected !!