Uso de Adornos

O USO DE ADORNOS E A PANDEMIA DA COVID-19

Bia

por:
Beatriz Mª Nogaroli

Desde a sua promulgação em 2005, a NR-32 tem gerado discussão e polêmica nos serviços de saúde. Um dos assuntos mais discutidos até alguns meses atrás, antes do surgimento do Sars-Cov-2, foi o uso de adornos no ambiente de trabalho. Esse assunto gerou muitas dúvidas, discussões, argumentos e resistência dos funcionários de laboratórios e hospitais, principalmente locais onde a norma é aplicada com mais rigor, pois a possibilidade de fiscalização é maior.

O item 32.2.4.5 da norma diz: O empregador deve vedar: a) a utilização de pias de trabalho para fins diversos dos previstos; b) o ato de fumar, o uso de adornos e o manuseio de lentes de contato nos postos de trabalho; c) o consumo de alimentos e bebidas nos postos de trabalho; d) a guarda de alimentos em locais não destinados para este fim; e) o uso de calçados abertos.

Primeiro acho interessante recordar o que são os adornos, que a NR-32 destaca. Adornos incluem anéis, aliança, relógio, pulseiras, brincos, piercing, presilha de cabelo e qualquer outro objeto de uso pessoal que possa facilitar que um risco previsto, por mais improvável que seja, se torne um acidente. Lembrar que estamos falando de prevenção de riscos à saúde.

Esses objetos não devem ser usados durante o trabalho porque dificultam a higiene das mãos, podem enroscar em equipamentos, arranhar o paciente e facilitam o acúmulo de microrganismos em reentrâncias. Anéis, aliança, relógios e pulseiras, por exemplo, não permitem a lavagem correta das mãos e não secam de imediato quando as secamos, acumulando gotículas de água e sabonete. As mulheres que atuam na coleta infantil e alas pediátricas podem ter os brincos “agarrados” e se ferirem. É difícil acontecer? Sim, mas não é impossível.  O que se quer evitar é o risco à segurança do paciente, à saúde do trabalhador e a disseminação de microrganismos no ambiente hospitalar.

A implantação da norma depois de tantos anos ainda é uma dificuldade para muitos serviços. Talvez uma das causas seja a comunicação ineficaz do pessoal da Segurança do Trabalho e das lideranças. Coube aos profissionais com conhecimento técnico e que conhecem as peculiaridades e características de cada serviço de saúde, criar condições para que a NR-32 fosse cumprida. No entanto, acredito que a comunicação interna ainda é o grande empecilho para que tais práticas sejam implementadas. Essa dedução se baseia nos comentários postados em nosso blog pedindo esclarecimentos. E foram muitos, de diversas regiões do país.

Posso citar como exemplo, o uso de aliança. Muitos comentários no nosso blog foram sobre a proibição do uso de aliança durante a jornada de trabalho. Alguns argumentos para essa resistência: “a aliança é o símbolo do amor”, “é abençoada e não se deve deixar de usar”, “nunca tirei do dedo e não vou tirar por causa dessa NR”, entre outros. É compreensível a crença, mas me pergunto: ao tirar a aliança por 6 horas de jornada se deixa de amar o cônjuge? É o tipo de resistência gerada por comunicação ineficaz que transforma o veto ao uso como algo pessoal.

Então, no inicio deste ano chegou o Sars-Cov-2 e estamos em plena pandemia, sem data para acabar. Os pesquisadores e médicos necessitam de muito estudo e experiência clínica para entender o mecanismo de ação do vírus, a forma como ele compromete vários órgãos e a resposta imune que ele estimula no organismo. Esse estudo é necessário para o desenvolvimento de formas de combatê-lo, inclusive para a criação da tão esperada vacina.

O que temos até o momento de concreto são medidas preventivas como afastamento social, uso de máscaras, lavagem constante das mãos e uso de álcool em gel. Além disso, só o bom-senso e a consciência coletiva.

No inicio da COVID-19, foi noticiado a preocupação dos profissionais de saúde de todas as regiões do Brasil quanto ao enfrentamento no combate do Coronavírus. Ficou evidente que a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), uma das principais barreiras para a segurança, estava comprometida, colocando em risco a integridade física desses trabalhadores.

Essa pandemia trouxe uma maior conscientização dos profissionais da saúde quanto à sua proteção, a do paciente e da coletividade. Certamente, também contribuiu para a compreensão de que os adornos, podem ser fatores de riscos nos ambientes assistenciais de saúde e devem ser evitados. Lamento que tenha sido necessário algo tão drástico para esse entendimento.

A questão não é proibir o uso, mas fazer entender que a presença desses objetos durante a jornada de trabalho pode acarretar uma situação de risco. Informar, orientar e conscientizar – esse é o segredo para a colaboração.

Com atitudes preventivas, todos nós podemos contribuir para que a COVID-19 finalmente entre em declínio no nosso país. Desejo que os profissionais de saúde tenham o merecido reconhecimento por sua atuação desde sempre, mas sobretudo, durante essa doença chamada COVID-19.

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