Efeito de Componentes Pré-Analíticos Sobre as Enzimas

EFEITO DE COMPONENTES PRÉ-ANALITICOS SOBRE AS DOSAGENS ENZIMÁTICAS

Bia

por:
Beatriz Mª Nogaroli

As enzimas são proteínas com propriedades catalisadoras sobre as reações que ocorrem nos sistemas biológicos. Elas têm um elevado grau de especificidade sobre seus substratos acelerando reações específicas sem serem alteradas ou consumidas durante o processo. Todas as enzimas presentes no corpo humano são sintetizadas intracelularmente. De uma maneira geral, a concentração de enzimas no soro é baixa.

As enzimas podem aumentar significativamente após uma lesão tecidual, como ocorre na maioria dos estados patológicos.

As enzimas podem ser:

– Enzimas plasma-especificas: são enzimas de maior concentração na circulação, ativas no plasma, utilizadas no mecanismo de coagulação e fibrinólise. Fazem parte desse grupo a trombina, fator XII, fator X e outros.

– Enzimas secretadas: são enzimas secretadas em geral, na forma inativa, e depois de ativadas agem em locais extracelulares. É o caso das proteases ou hidrolases do sistema digestivo, como por exemplo a lipase e a α-amilase.

– Enzimas celulares: em geral, apresentam níveis plasmáticos muito baixos ou nulos. Os níveis aumentam quando são liberadas a partir de tecidos lesionados por alguma enfermidade, o que permite inferir a localização e a natureza das variações patológicas em alguns órgãos.

Uma lesão por processo patológico, pode provocar mudança na permeabilidade da membrana celular ou levar à morte celular, liberando enzimas celulares no plasma. Um exemplo são as transaminases.

No individuo hígido, as atividades enzimáticas permanecem constantes, refletindo o equilíbrio entre os processos biológicos.

O controle do laboratório sobre os fatores pré-analíticos é limitado, mas é possível minimizar seus efeitos através da orientação ao paciente, clara e de fácil compreensão, disponível nos canais de comunicação com o paciente e médicos, como também transmitida oralmente ao paciente.

O soro é o material de escolha para as dosagens enzimáticas no sangue. A atenção na fase pré-analítica também é importante na determinação dessas proteínas. O objetivo neste momento, é focar alguns fatores que podem interferir nos resultados das dosagens enzimáticas.

Estase venosa – A redução do retorno venoso, pelo tempo prolongado do torniquete e/ou muito apertado, durante a coleta de sangue venoso, provoca a falta de oxigênio aumentando a permeabilidade das membranas celulares  e consequentemente, a liberação de conteúdo celular para o plasma, entre eles as transaminases, fosfatase acida e desidrogenase lática (LDH).

Uso de anticoagulantes – Embora o soro seja a amostra mais usada, muitos métodos permitem a determinação de algumas enzimas no plasma. No entanto, nem todos os anticoagulantes podem ser usados para obter amostras destinadas a dosagens enzimáticas. Em geral, os anticoagulantes inibem a atividade enzimática.

Exemplos: 1) citrato e EDTA inibem a amilase; 2) fluoreto e citrato inibem a gama-glutamiltransferase (g-GT); 3) a heparina inibe a desidrogenase lática (LDH).

Hemólise – A hemólise ainda é a vilã dentre os interferentes nas análises clínicas. Mesmo com metodologias que podem minimizar seus efeitos, não se deve utilizar amostra hemolisada para dosagens enzimáticas porque muitas das enzimas estão presentes nas hemácias e serão liberadas para a amostra, podendo elevar os resultados.

A hemólise afeta substancialmente a dosagem de alguns elementos, como desidrogenase láctica (LDH), aspartato aminotransferase (AST/TGO) e troponinas.

Consumo de alcool – É recomendável solicitar ao cliente que se abstenha de ingerir álcool, quando o consumo é social, pelo menos 3 dias antes da coleta de exames. O uso crônico induz a elevação das enzimas hepáticas gama-glutamiltransferase (g-GT) e transaminases (TGO/TGP).

Atividade física – O efeito dos exercícios sobre alguns componentes sanguíneos é, em geral, transitório. Resulta da movimentação de água e outras substâncias entre os diferentes compartimentos corporais, da variação nas necessidades energéticas do metabolismo e da mudança fisiológica que a atividade condiciona. Assim sendo, a coleta de amostras deve ser feita preferencialmente, em jejum. O esforço físico, também pode aumentar a atividade sérica de enzimas de origem muscular, como a creatinoquinase (CK), a aldolase e a aspartato aminotransferase (AST/TGO), pelo aumento da liberação celular. Enzimas como a creatinoquinase (CK) e renina, podem aumentar em até quatro e dez vezes, respectivamente.

Troponinas podem ser detectadas com esforço físico intenso por ensaios de alta sensibilidade.

Preservação da amostra – As dosagens enzimáticas devem ser realizadas o mais breve possível para evitar perda da atividade. Se isso não for possível, a amostra deve ser refrigerada (2-8°C) ou congelada (-20°C). A não conservação adequada da amostra pode elevar a presença da enzima, como por exemplo, a fosfatase alcalina aumenta de 3 a 10% em algumas horas a 25°C.

Medicamentos – Obter do paciente os medicamentos em uso no momento do cadastro é importante na avaliação das dosagens enzimáticas, pois estes podem induzir resultados falsamente elevados, por exemplo as transaminases, fosfatase alcalina e gama-glutamiltransferase (g-GT)

Este artigo trouxe informações para a melhoria do seu processo pré-analítico?

 

 

Referências:

Recomendações da SBPC: Fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. Manole.2018.

Recomendações da SBPC: coleta e preparo da amostra biológica. Manole. 2014

http://www.goldanalisa.com.br/Enzimas_no_Laboratorio_Clinico

https://www.fleury.com.br/medico/artigos-cientificos/exames-laboratoriais-e-a-importancia-dos-cuidados-pre-analiticos

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