Uso de luvas no Laboratório Clí­nico

USO DE LUVAS NO LABORATÓRIO CLÍNICO

“É obrigado usar luvas durante a coleta de sangue?”
Me pergunta o técnico de coleta.
” É necessário trocar as luvas a cada paciente?”.
É o questionamento do gestor.

Uma das questões mais frequentes no meu dia-a-dia como consultora é sobre a obrigatoriedade do uso de luvas nas diferentes atividades laboratoriais, da coleta à  limpeza. O uso de luvas na coleta de sangue, sem duvida, é a mais polêmica.

Nos laboratórios em geral, observo muita resistência no uso das luvas por parte do empregador e do trabalhador. Existe uma “implicância” com a  NR-32 e ainda depois de 7 anos em vigor, contra a RDC 302, que trás exigências quanto à  segurança do trabalhador . Compreendo os argumentos de cada um, mas não posso concordar.

Para todo problema, só teremos solução se houver uma mudança na forma de enxergá-lo.

Com o caso das luvas é a mesma coisa! Vou tentar esclarecer a ambos, empregadores e trabalhadores,  e espero contribuir para uma mudança de conduta organizacional.

A elaboração da NR-32 contou com a participação de representações dos trabalhadores, empregadores e governo (grupo tripartite). Gerou uma consulta pública de centenas de páginas com participação expressiva da sociedade civil, que foi ouvida gerando revisões e alterações no texto final da norma. Nós não estávamos lá, mas alguém nos representou.O objetivo da NR-32 é disciplinar de forma especifica sobre a segurança e a saúde do trabalhador dos serviços de saúde (coisa que até então não existia) e não ensinar como fazer.

Dessa forma, os profissionais, segundo seu conhecimento técnico e principalmente a peculiaridade e caracterí­sticas de cada laboratório, é quem vão criar condições para que a NR-32 seja cumprida. Além do mais, a NR-32 dá ênfase nas orientações contidas no PPRA- Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, que determina ações para evitar que os riscos previsí­veis no ambiente de trabalho, aconteçam.

O que diz a NR-32

Item 32.2.4.1 As medidas de proteção devem ser adotadas a partir do resultado da avaliação, previstas no PPRA, observando o disposto no item 32.2.2 (que trata do PPRA).

Avaliando o ponto de vista do empregador:

Os argumentos mais frequente são o alto custo das caixas de luvas, o desperdí­cio por parte do funcionário, que a luva não protege contra o perfurocortante.

Se o PPRA do seu laboratório for um trabalho embasado ( não do tipo copiar-colar) e demonstrar que não há necessidade do uso de luvas para a coleta de sangue, não há nada ou alguém que possa contradizê-lo. Ao contrário, onde ele indicar o uso das luvas (com certeza na coleta, processamento de amostras, processos analíticos, processamento de materiais, higienização), ao funcionário não é dado direito de escolha, o uso é obrigatório.

As luvas só tem função quando integras e limpas, portanto, devem ser descartadas quando observado  a presença de sangue, perfuração ou rasgo, por menor que seja.

O uso correto e a consequente redução do desperdício só com um bom treinamento.

Item 32.2.4.3.2 O Uso de luvas não substitui o processo de lavagem das mãos, o que deve ocorrer, no mínimo, antes e depois do uso das mesmas.

Durante a coleta de sangue com o uso de sistema de tubo a vácuo, o risco de contato de sangue com a pele íntegra do coletador é praticamente desprezível . O maior risco (inegável) e relativamente frequente nos laboratórios, é o acidente com perfurocortante. A luva é uma barreira fí­sica que, infelizmente, oferece  apenas proteção parcial, mas de uso “recomendado” devido ao risco real da atividade.

Por uma questão de custo, já se estudou a necessidade da troca de luvas a cada coleta e foi verificado que se não houver contaminação visí­vel com sangue e enquanto as luvas estiverem í­ntegras, as mãos enluvadas podem ser higienizadas entre um paciente e outro (como as mãos o seriam), uma vez que são usadas para a proteção do coletador e não para proteção do paciente (Dra Luisiane Vieira). Essa prática não é bem aceita pela Vigilância Sanitária e é preciso estar atento às exigências da fiscalização local.

Ocorre também que alguns pacientes não aceitam bem essa conduta e questionam o procedimento. Cabe a cada gestor avaliar seus clientes, as situações onde essa conduta pode ser empregada, e o custo, não da caixa de luvas, mas da possí­vel perda do cliente e da credibilidade do seu serviço. Eu prefiro as luvas.

Existem vários tipos de luvas no mercado e a utilização deve ser de acordo com o tipo de atividade e material a ser manuseado. Deve ser impermeável. Temos luvas de borracha, nitrílica ou neoprene (VINIL, mais resistentes), látex ou de PVC. O empregador deve disponibilizar  luvas que se adaptem de forma mais perfeita possível às mãos dos funcionários , para que não comprometa o trabalho a ser executado e coloque em risco sua saúde.

Avaliando o ponto de vista do funcionário:

Os argumentos mais usados são a luva atrapalha, a luva é desconfortável (muito grande ou “o laboratório só compra tamanho médio”), perda da sensibilidade, que a luva não protege contra o perfurocortante.

Como comentado anteriormente, onde o PPRA indicar o uso das luvas, o uso é obrigatório, o funcionário não tem direito de escolher se quer ou não usar.

O desconforto se resolve com tamanhos diferentes de luvas. A perda da sensibilidade é algo real, por ser uma barreira, mas se a pele do paciente estiver integra, a seleção da veia pelo tato pode ser feita antes de calçar as luvas. Selecionada a veia, calce as luvas, faça a antissepsia e em seguida a punção. Tudo muito simples!

Se o laboratório onde trabalha optar por não trocar as luvas a cada paciente, é obrigatório lavar as mãos enluvadas na frente do próximo paciente, antes de iniciar a coleta.

Se é certo que a luva não protege contra o perfurocortante, então trabalhe com muita atenção. Jamais reencape agulhas e descarte as agulhas apenas na caixa de perfurocortantes. Não vacile! A sua saúde não tem preço!

Não use luvas com respingos de sangue, furos ou rasgo, mesmo que muito pequenos. Descarte e troque por luvas integras.

O uso de luvas se restringe ao ambiente de trabalho e com muito bom senso. Retirar as luvas, por exemplo, para abrir portas, usar telefone, escrever, manusear papeis, assoar o nariz, ir ao banheiro, andar por outros ambientes do laboratório. Impossível? Não. Atitude profissional.

A luva foi feita para a proteção individual do funcionário e protege só a ele. Todas as atividades que realizar com elas, que não seja o seu trabalho propriamente dito, está agindo como um transmissor de doenças, inclusive levando para dentro de sua casa, quando manuseia objetos particulares usando as luvas.

Cada laboratório deve exigir o uso de luvas de acordo com o que determina o seu PPRA e orientar o uso correto.

O uso de luvas é um exemplo clássico da necessidade de um treinamento especifico para o uso correto (onde usar e como usar). Trabalhamos com pessoas, portanto, não é coagindo ou “fazer de conta que não vá”, a conduta correta. É preciso modificar a cultura da segurança dentro da empresa, a começar pelo empregador, e explicar os porquês.

Se precisar de ajuda, estamos aqui para facilitar o processo.

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